Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Amanhã é dia dela

Pois é, não resisti e cá estou eu postando de novo. Mas juro que esse é o último antes da viagem. É que amanhã é o dia dela. Essa moça aí do quadro ao lado. A Rainha que um dia chamei de coelha.

Este ano, infelizmente não poderei comparecer. Mas o motivo é mais que nobre. Estarei num avião voando para a Terra que tanto encantou o ancestral da Rainha Bea.

Não poderei contar nada sobre a festa deste ano, mas se quiser saber como foi a do ano passado, clique aqui.

Agora fui mesmo! Inté.


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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Bailandesa: agora é oficial!

Malas quase fechadas, presentes comprados. Agora, só passando o pente fino na bagagem e nas lembranças. Mas, entre todas as atividades relacionadas à viagem, ainda tive que comparecer à cerimônia de entrega do meu diploma do Inburgering.

É isso aí meu povo, agora sou oficialmente integrada. Portanto uma verdadeira Bailandesa. Tá no papel. Carimbado, rotulado, avaliado e etc. Fiz parte do último grupo que ainda fez o inburgering sob o antigo regime. Por isso, tanta pompa e circunstância. A cerimônia aconteceu no bonito prédio na prefeitura de Zeist, com a presença do prefeito e políticos locais.

O que mais me chamou a atenção foi a diversidade impressionante de gente. Turbantes e saris laranjas, lindos véus e rostos dos mais variados lugares e etnias. Acompanhando a música de câmara, muitos bebês chorando e crianças impacientes nas cadeiras. Muitas delas já nascidas aqui e que já são parte de um futuro cada vez mais multicultural, apesar de todos os esforços de pessoas como Verdonk e Wilders.

Além do diploma, ainda recebemos uma lembrança da prefeitura (um mini-rádio) e depois da cerimônia, houve uma pequena recepção para os novos aprendizes de cabeça-de-queijo. Mais uma etapa que se encerra, para dar início a uma outra fase. Afinal, vida de imigrante é como gincana. Todo dia tem tarefa nova.

A nova lei

Agora, com a nova lei, que está em vigor desde Janeiro de 2007, não só os novos moradores podem (ou são obrigados) a fazer o inburgering. Antigos moradores também podem se inscrever. Assim temos os participantes voluntários e os obrigatórios. Se antes a prefeitura tinha o controle total do processo, agora o IND, Ministério da Imigração, através do Informatie Beheer Groep, tem papel decisivo no processe, controlando a lista de quem deve fazer o inburgering. Não precisa falar que quanto mais mãos mexem no bolo, mas chance tem de desandar. Isso significa mais burocracia e atrasos.

Quer saber mais sobre o novo sistema do inburgering, clique aqui e leia um perguntas e respostas (em holandês).

Até breve

Esse provavelmente é o meu último post até o final de maio. Então meu povo, vou dar uma chance ao sol de bronzear este corpinho tão amarelo. Se der, mando notícias. Mas acho que vai ser difícil.

Inté, fui!

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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Turista, eu?

Em alguns dias, voltarei à Terra Brasilis depois de dois anos de Disney do Queijo. Claro que tenho saudades de muitas pessoas e muitas coisas e estou louca pra sentir calor, tomar sol, pisar na areia, tomar banho de mar e tudo o que sinto tanta falta. Mas também estou curiosa para ver como vou olhar para o meu próprio país.

Não, não é papo de gente que se mudou e esqueceu a língua, não conhece mais os caminhos na cidade que sempre morou e virou gringa de araque de uma hora pra outra. É que depois de tanto tempo, você sente falta da espontaneidade brasileira, mas ao mesmo tempo, se acostuma com a segurança, com a limpeza, com a organização, com a quietude da vizinhança e outros aspectos do dia-a-dia dos países ditos desenvolvidos.

Conversei com algumas pessoas na mesma situação e muitas estranharam o comportamento das pessoas na rua, o barulho, o falar alto, o tocar ao falar, os beijinhos nos desconhecidos, o trânsito e etc. Mas todos foram unâninmes em dizer que é muito bom sentir o calor humano, a emoção e a sincera alegria do povo brasileiro.

Eu, enquanto arrumo as malas, boto a cabeça também em ordem para enfrentar o dito "choque cultural"às avessas. Mas que deve ser muito estranho se sentir uma estranha no próprio ninho, isso lá deve ser. Quem ler, saberá.....

Inté povo, boa semana

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Choro aqui, samba acolá

Nos últimos dias, a música brasileira, em especial o choro e o samba, tem cruzado o meu caminho. No meio de toda a confusão entre preparação para a viagem, trabalho e tudo mais, não sei como tenho encontrado tempo para ir a shows, assistir filmes, escrever e claro, ouvir música. Gostei tanto do que vi e ouvi que não posso deixar de comentar aqui.

Brasileirinho

Uma amiga holandesa me emprestou o DVD e foi paixão ao primeiro apertar da tecla play. Nesta produção suíça, finlandesa, brasileira, o diretor Mika Kaurismäki faz uma homensagem ao choro, ao samba e ao Rio de Janeiro. Já imaginou, num mesmo filme, ter a honra de ouvir e ver Teresa Cristina, Trio Madeira, Elza Soares, Hamilton de Holanda, Silvério Pontes, Zé da Velha e tantos outros? A fotografia é suave e explora com sutil delicadeza o cenário do Rio de Janeiro. Emocionante! Se quer aprender mais sobre a história do choro e da cultura brasileirae ouvir excelente música, recomendo com fervor.

Rogério Bicudo

Na sexta-feira, saí apressada do trabalho e segui desvairada para Amsterdã em direção ao Troppentheater. Assistiria pela primeira vez o Rogério Bicudo, violonista, cantor e compositor que mora aqui na Holanda. Ele se apresentava em trio, acompanhado de baixo e bateria e foi um bonito espetáculo. Mais uma vez o choro e o samba atravessaram a minha vida. Excelentes músicos interpretaram verdadeiros clássicos como Upa Neguinho, A Rita de Chico, composições próprias de Bicudo e nos presentearam com solos surpreendentes. Pena que o ambiente não favoreceu a uma total entrega do público. Ficou uma coisa meio distante, fria.

The Ipanemas
Pensam que acabou? Nada. Ainda tive fôlego pra ir na segunda-feira no show dos The Ipanemas. Quando soube do show, pensei com desconfiança: " huumm, me parece uma coisa pra gringo ver". Mas quer saber? Me apaixonei. Pelo som, pela ginga e malícia do grupo. Uma viagem aos bons tempos da malandragem na Lapa, com um de toque de jazz e bossa. O melhor da noite foi que, enquanto sambava no escurinho, mas coladinha no palco, Wilson das Neves, vem e me solta essa: "Aí você que tá sambando bonitinho. Vou te levar pra Império Serrano,hein? Tem uma vaga de passista lá". Não preciso dizer que ganhei a noite e muitas gargalhadas. Comprei o CD Samba is my gift, mas para a minha surpresa, os veteranos já haviam lançado outros, desde o seu retorno. Clique aqui e ouça um pouco.

Foto Rogério Bicudo: Ron Beenen

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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Desvendando o véu

Se eu lhe perguntasse a profissão da senhora ao lado, provavelmente você me diria: dona-de-casa. Pois é, o véu não cobre apenas a cabeça das mulheres mulçumanas, cobre também o nosso olhar em relação à diferentes culturas. A senhora ao lado é uma advogada e se chama Famile Arslan.

Essa é uma das personagens que encontrei no hoofddoeken.nl. Uma iniciativa de Deeqa Yasin, finalista do concurso Inspiratie voor integratie (IVI). Um projeto que objetiva mostrar à Holanda que as mulheres muçulmanas também tem aspirações profissionais e estimular a sua participaçao no mercado de trabalho. Deeqa YAsin e os outros 6 finalistas devem apresentar e implementar um projeto que dê um impulso à diversidade cultural.
Deeqa Yasin
Ela pretende mostrar que o véu cobre apenas os cabelos e não o cérebro das mulheres mulçumanas e faz isso da melhor maneira: através da divulgação de exemplos bem sucedidos como Fatima Maria Bourri en Manon Moussa-Roodenburg. Elas são estilistas de véus e turbantes , sócias na Speesjaal e fazem do ato de cobrir a cabeça um motivo de orgulho e integração.

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